quarta-feira, 6 de maio de 2009

A Jogo da Vida

Hoje meu post vai ser grande. Mas o meu post hj é meio macabro pra muitas pessoas, e até normal pra outras. Na medicina temos oportunidades de lidar com pessoas, doenças e morte, e por mais que você tente uma coisa é certa: As pessoas tem medo de falar da morte, mesmo que ela seja evidente. E tenho a opinião de que "como algo, que é a única certeza da nossa vida, é um tabu para conversa até hoje?". E pensando nisso há uns 2 meses tive uma idéia de como abordar a morte e escrevi um texto que passei para familiares e amigos. A grande maioria criticou dizendo que o texto é bom mas o final é ruim. Que as duas últimas frases, quando parece que vou dar esperança às pessoas, na verdade eu dou um banho de agua fria. Argumentava que não tem porque dar esperança, pois no final todos morreremos. É certo. Enfim, leiam o texto e deêm suas opiniões.

Jogo da Vida
Por Rodrigo Bordin Trindade
Fevereiro de 2009


Todos conhecem o jogo a que dá título a esse texto. Mas não é sobre ele que escreverei.
Estive filosofando esses dias antes de dormir, naquelas noites de insônia, sobre o que é a vida, qual sua finalidade, e qual a nossa finalidade como profissionais da saúde? Óbvio que a primeira pergunta não foi respondida, porque se a tivesse, estaria rico, falando em programas de televisão e escrevendo um livro, por ter descoberto o que muitos procuram desde o início da humanidade. Mas com o segundo questionamento me veio uma idéia interessante:
O que é a vida, senão um jogo, que todos sabemos o resultado final? Um jogo próprio, contra a "Morte" que no final sempre perderemos . Não a Morte que conhecemos, com sua capa preta e sua foice, e sim uma Morte atlética, pronta para jogar o maior jogo da SUA vida.
Penso como num jogo de futebol, onde o único jogador de verdade é você mesmo, e o resto do seu time é sua retaguarda, contando com cientistas, médicos, enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas, etc, todos “jogando” para defender a bola, atacar, tentar fazer o gol (que nunca será feito) e lutar para não levar, pois esse é um jogo com “gol de ouro” ou “morte súbita”. Se você levar o gol, perde! E a Morte comemora.
A Morte joga sozinha, não tem parceiros, mas ela está onde você menos imagina. Em todos os cantos, em todas as jogadas, em todos os chutes e passes, em todos cruzamentos, enfim, sempre na espera do momento certo de ir pro ataque.
E nós, jogamos cada qual seu jogo:
Alguns são atacantes natos, só querem saber de atacar a Morte, sem se preocupar com a defesa, ou com quem escalar como goleiro da partida. Muitos desses encontram seu resultado rapidamente, pois com todo o time no ataque, fica fácil pra Morte marcar o seu gol de ouro. Outros destes, como todo jogo esportivo, de alguma maneira, mesmo jogando vergonhosamente, conseguem se manter em campo um bom tempo sem levar o gol.
Já outros jogadores são estrategistas, armam seu time da melhor maneira possível, na tentativa de prolongar a partida pelo maior tempo, jogando na retranca, pois afinal o resultado ele já conhece. Médicos geralmente na defesa, um de goleiro (o médico intensivista ou plantonista?) e mais 4 zagueiros. Geralmente clínicos, cirurgiões, radiologistas e patologistas, entre outras especialidades, prontos para tirar a bola da Morte e acalmar os ânimos. Enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas e demais especialidades sempre no meio campo, dando a cobertura e mantendo o jogo em banho-maria. Mas num momento de euforia, o jogador resolve atacar, perde a bola e leva o contra-ataque: gol. Ou um momento de descuido, perde a bola...! Fim de jogo pra você.
Alguns outros até são escalados para jogar, mas não entram em campo (partindo do princípio que a vida começa com o nascimento e não na fecundação). E o problema é que, neste jogo, não há banco de reservas. Outros se contundem em algum momento da partida e acabam assim dando a brecha que a dona Morte queria, nesse caso a derrota vindo lentamente e de forma previsível. Já outros se contundem de forma feia, mas, com a bola na trave da dona Morte, conseguem se recuperar do susto e voltar muito bem para a partida. E há ainda aqueles que vendo não ter mais como continuar jogando simplesmente deixam-se sofrer o gol.
Enfim, não importa o tipo de jogador que somos, sempre encontramos o nosso resultado. Alguns jogam uma partida bela, outros jogam uma partida feia, uns perdem rápido, e outros conseguem prolongá-la até o 3º tempo da prorrogação (alguns ainda mais). Mas o principal objetivo aqui não é ganhar e sim jogar plenamente, jogar feliz , sabendo pra quem passar a bola, saber em quem confiar, para fazer jogadas bonitas. Pois assim viverás plenamente. Afinal, o resultado é inexorável. E a Morte comemora!

3 comentários:

Victor disse...

Fuck, este final sempre me quebra! rs Mas é interessante o texto. Abraço

Rodrigao disse...

ainda nao tirei o final..quem saiba pro livro que eskreverei para fikar riko (risada sarkastika on) eu tire pra deixar os leitores felizes...hauahuaha
ps...a letra SÊ do teklado nao tah funkionando por isso to usando K

Futibeer disse...

vc eskeceu dos penaltis e do gol de ouro